• Leandro Sosi

Você sabe como contratar um locutor profissional?

Do ponto de vista prático, contratar um locutor parece muito simples: basta digitar no Google “Locutor Profissional” e uma infinidade de sites de banco de vozes pipocarão no seu navegador, além de outros tantos sites de profissionais autônomos. No caso de um banco, é questão de escolher o site com o qual você mais simpatiza, depois a voz que julga mais adequada ao seu projeto, entrar em contato com o profissional e pronto.


Pronto? Não. É a partir daqui que a coisa fica um pouquinho mais complicada. Existem muitos e muitos tipos de profissionais, que trabalham das mais variadas maneiras e praticam os mais variados valores de cachê. Não existem tabelas referenciais, e por ser algo tão flutuante e tão dependente de tantas variáveis, muitas vezes passa-se a impressão de que o locutor define um valor subjetivo e pouco lógico, o que pode irritar e confundir a cabeça do contratante, que muitas vezes precisa resolver o problema com mais rapidez e transparência.


Mas calma, vamos destrinchar estas variáveis uma a uma. Meu objetivo aqui é arrancar-lhe este desconforto das têmperas e te ajudar a contratar um bom profissional bastante consciente destas variáveis e que te ajude na solução do seu problema.


Antes de mais nada, talvez você não saiba, mas o que você procura é uma voz que transmita credibilidade para o seu projeto e que ajude a passar a mensagem desejada com muita eficiência. Locutores não vendem apenas uma voz agradável de se ouvir. Um bom locutor transmite muita credibilidade e naturalidade na interpretação e isso pode ser decisivo para o sucesso do seu projeto. Portanto, quanto mais credibilidade o locutor transmite, provavelmente maior será seu cachê. Sempre tenha isso em mente!


Dito isso, vamos aos tópicos que precisam ser levados em consideração no momento de negociar e contratar um locutor profissional:


Praça, Tipo de mídia, tempo no ar e hora técnica


O tamanho da exposição conta muito. Voz é identidade! Quanto mais exposição tem uma voz, menos chances o locutor terá de conseguir trabalho junto a um cliente ou produto similar - por uma questão ética - e portanto mais alto é o valor de cachê. Por exemplo: Como você se sentiria se a voz que você escolheu com tanto afinco para o comercial do seu produto também estrelasse o do seu concorrente, e os dois estivessem no ar ao mesmo tempo, no intervalo do Jornal Nacional? Não faz nenhum sentido. É justo que ele seja remunerado pela exclusividade. Afinal, a voz dele é única e certamente criou uma identidade com seu produto.


Por outro lado, se o seu produto atende à uma praça específica, como apenas uma cidade de poucos habitantes, o valor do cachê tende a cair consideravelmente, pois dificilmente haverá um confito de interesses com o cliente de produto similar em outra cidade.


O tipo de mídia também está atrelado ao tamanho da exposição. Em mídias de grande audiência, como TV aberta/paga, rádio ou internet, o valor provavelmente será mais alto do que uma veiculação em um evento único, um treinamento interno ou uma URA (Unidade de Resposta Audível).


Um texto curto geralmente exigirá muito menos horas técnicas de gravação, edição e finalização do áudio. Por exemplo: um comercial de 15 segundos certamente será gravado e finalizado muito mais rapidamente que um audiotour de 40 minutos gravado e produzido para um museu, por exemplo. No entanto, nesse caso, o valor de cachê pode ser bastante similar, dependendo do tamanho da exposição da voz (já mencionei como isso é importante?), independente da quantidade de horas técnicas utilizadas.


Já o tempo de permanência no ar é outra variável importante. O valor de um cachê para um material que ficará no ar por uma semana e para um que ficará por 3 anos também será completamente diferente. Por quê? Adivinha rsrs... olha a exposição aí. O uso por tempo indeterminado não costuma ser bem visto por locutores profissionais, e até onde eu sei, juridicamente, este termo nem existe para trabalhos artísticos. Vale consultar um advogado especialista em direitos conexos para que você não tenha problemas legais no futuro.


Momento de carreira


Um locutor em início de carreira dificilmente conseguirá trabalhar com o mesmo valor que um locutor experiente, que já criou certa autoridade e que saberá resolver seu problema de maneira muito mais rápida e eficiente. No entanto, isso não é restrito somente ao universo da locução profissional. Em todas as profissões serão encontradas essas diferenças. Portanto, sua escolha vai depender muito do seu budget.


Competências comportamentais


Locutores que apresentam grande disponibilidade, versatilidade, facilidade de comunicação e são mais easy-goings, tendem a valorizar o próprio trabalho e cobrar um valor mais justo por ele. Hoje em dia, as competências comportamentais muitas vezes superam até o talento e a experiência, e ter consciência disso é estar um passo à frente. Já existem pesquisas comprovando que contratantes preferem ter menos dor de cabeça com pessoas menos talentosas, do que com grandes talentos com problemas comportamentais, como arrogância, falta de educação, individualismo, beber em excesso etc. Portanto, se um profissional experiente e que cobra uma valor alto lhe tratar com arrogância, talvez ele ainda não tenha despertado para a nova era e infelizmente o mercado irá tratar de marginalizá-lo.


Espero que tenha gostado dessas dicas e que volte mais vezes.


Um abraço e boa pesquisa!

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