• Leandro Sosi

Sei que é Dia dos Namorados, Santander, mas não dá mais :-(


Meu amado Santander,


Te conheci há 19 anos, quando você ainda levava o nome de Banco Real. Ah, tempos saudosos aqueles de faculdade, onde consegui abrir uma conta universitária sem nem ao menos precisar comprovar renda.


Experimentei o amor em seu estado mais puro e jovem. Eu julgava nossa relação incrível. Seus gerentes me vendiam títulos de capitalização com chances de ganhar prêmios milionários pela loteria federal, seguros de vida, ofereciam mais e mais crédito... eu me sentia tão especial, tão querido e amado. Lembra quando me endividei e eu te pagava juros totalmente abusivos no cheque especial? Aquilo foi tão lindo e generoso... eu estava apaixonado!


Me sentia tão amado, que há 5 anos resolvi dar mais um passo na nossa relação e me tornei cliente também de Pessoa Jurídica. E tudo corria maravilhosamente bem, até que comecei a perceber que você flertava com uma zona de conforto, uma preguiça de mudar... enquanto eu, Santander, queria mais. Eu comecei a estudar Educação Financeira, saí de uma dívida, descobri o poder dos juros compostos, fiz amizade com o Tesouro Direto. Eu queria evoluir, acompanhar o ritmo do século XXI, sabe? Infelizmente, senti que estávamos nos distanciando cada vez mais... e bem nessa época, conheci aquele roxinho maroto, o Nubank.

De verdade? Eu não ligava muito pra ele. Não me apaixonei assim, logo de cara. Mas ele foi me conquistando com seu jeito descolado e honesto de ver as coisas. Eu resisti ao máximo, pois não queria deixá-lo, Santander, após tantas histórias pelas quais passamos juntos, sabe? Mas, quando criei uma planilha que me mostrava o quanto eu gastava com tarifas bancárias... caiu a ficha. Não era isso o que eu queria pra mim. As coisas não estavam mais fazendo sentido. Você começou a perder o crédito, Santander, e eu já não mais vislumbrava um futuro para nós.


Tomei uma primeira decisão, menos drástica: terminar nosso relacionamento de PJ. Eu simplesmente não movimentava a conta o suficiente para justificar uma mensalidade de R$92,00, Santander, eu não estava feliz, precisava recuperar um pouco da minha autoestima, entende?


Mas o que você fez? Me enviou um gerente que me fez pensar que havia cancelado minha conta, mas não o fez. Pensa que eu não sei que você anda pressionando-o para bater metas? Pois é... eu ainda consigo acessar a conta pelo aplicativo e pelo Internet Banking. Eu entendo a sua dor... sei que você gostava de mim. Mas eu gostaria que você percebesse, amado, que quando você faz isso, só me afasta mais e mais. Isso não é amor, é apego. Do que você tem medo, Santander, por que você não se abre comigo? Você me fez perder um tempo precioso, saindo de casa em plena pandemia e enfrentando uma fila de 40 minutos. Você acha isso justo?


Por isso, com muita dor no meu coração, decidi também cancelar minha conta de Pessoa Física e terminar nosso relacionamento de 19 anos. Não dá mais. Gostaria que soubesse que vou me casar com o Nubank, com enxoval completo: PF e PJ. Pois ele sim sabe me fazer sentir como um cliente de verdade. Um cliente que faz tudo por um único aplicativo. Um cliente que não paga mensalidade. Um cliente que nunca mais vai precisar enfrentar uma fila de banco. Um cliente com saldo que tem rendimento diário e taxas transparentes, que não fica me enviando folhas de cheque como se eu ainda estivesse nos anos 90. Chega. CHEGA.

Por favor, não me escreva mais. Não me ofereça mais crédito. Quero que siga sua vida e seja feliz, mas gostaria de lhe deixar um conselho: por favor, pelo seu próprio bem, pare de fazer as pessoas de trouxas, brincando com seus sentimentos.


Passar bem. No débito ou no crédito, como preferir.


Do seu agora ex,


Leandro Sosi


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