© Copyright 2019 por LEANDRO SOSI. Criado com Wix.com

  • Leandro Sosi

O profissional autônomo e o pesadelo do cachê atrasado

Um problema cultural ou mercadológico?


Eu sei, é bem frustrante quando você presta um serviço e precisa correr atrás do seu justíssimo pagamento como se estivesse pedindo um favor. Nós, locutores comerciais, enquanto profissionais autônomos, somos os últimos dos moicanos em um organograma aparentemente injusto. O famoso "lado mais fraco da corda."


Imaginemos uma situação clássica do mercado audiovisual: a empresa contrata uma agência de marketing/publicidade, que contrata uma produtora de vídeo, que contrata uma produtora de áudio, que contrata o locutor. É bastante comum, salvo raras exceções, que o locutor seja pago por último, somente após todo mundo da cadeia tiver recebido por aquele job.


Loucura, né?


Quando iniciei minha carreira de locutor, há 15 anos, levei um choque. Primeiro, por tomar conhecimento da prática de prazos tão elásticos, mas acabei me acostumando rápido. O grande problema sempre foi outro: prazos não cumpridos.


Aquilo não fazia o menor sentido do ponto de vista ético e moral, pois pra mim eram valores muito óbvios: vendi meu trabalho e naturalmente quero receber por ele no prazo combinado, certo? Onde já se viu prestar um serviço intelectual, artístico, e receber 30, 60, 90 e às vezes até 120 dias depois, e ainda assim ficar de olho na conta bancária para certificar-se de que os prazos estavam sendo honrados?


Porém, com o tempo e a experiência, fui observando comportamentos corporativos diversos e cheguei à uma alarmante conclusão: todas as empresas que apresentavam dificuldades crônicas para honrar seus compromissos financeiros com seus fornecedores como eu, não cresceram significativamente ao longo dos anos. Permaneceram estagnadas ou faliram.


Por isso, no meu entendimento, o problema é simples: administração. Um despreparo que desgasta o relacionamento com o fornecedor e nos passa uma falsa impressão de que esse tipo de processo é culturalmente enraizado, nos deixando aquele gostinho amargo de impotência.


As coisas mudam


Me parece natural quando o problema é pontual, afinal o mercado é muito dinâmico e imprevistos acontecem. Porém, quando este tipo de problema é recorrente, uma coisa é quase certa: o interesse da empresa em lucrar está acima do interesse de empreender e ter consciência de sua missão no mundo. Aqueles que têm mais dificuldade em honrar compromissos financeiros são aqueles mais sedentos por lucro. Não estão muito preocupados com a missão, valores e visão de suas empresas. Eles repetirão e repetirão o mantra de que o mercado é muito difícil, que a crise está nos sufocando e a culpa é sempre das circunstâncias externas.


Mas existem empresas e clientes que sabem se relacionar com fornecedores. Que têm uma visão muito clara do papel do seu CNPJ na sociedade. Que crescem todo ano e se adaptam às novas realidades, com criatividade, dinamismo e energia, antecipando tendências e criando oportunidades, por meio de uma gestão profissional e séria. Chega a dar gosto!


A chave para você diminuir seu stress é se alinhar com essas empresas. Não no sentido de fazer contato com elas, mas sim de fazer seu dever de casa e PENSAR como elas.


Por isso, antes de qualquer coisa, para que você abandone a posição de vítima e alivie a frustração causada pela sucessão de pagamentos não cumpridos, faça uma profunda e cuidadosa análise do seu propósito enquanto profissional. Quando você faz isso, seus objetivos ficam mais claros, assim como seu posicionamento, porque você tende a se valorizar muito mais. Nos valorizando, passamos a não aceitar mais aquela canseira ética e moral. Quase naturalmente, você se alinha com quem vibra na mesma frequência. Já assistiu ao filme “O Segredo”? Pois é basicamente isso… você atrai quem tem paixão pela profissão, pela empresa, pelo propósito, e não está somente interessado em gerar lucros, pois você pensa parecido. Quando o seu único interesse é dinheiro, ele corre de você, e exatamente como seu contratante, você também vai ter dificuldades para honrar seus pagamentos e contrair desnecessárias dificuldades financeiras. Tenho muita propriedade para dizer isso, porque sou um ex-endividado. Porém, quando o seu interesse passa a ser cumprir sua missão enquanto empresário, enquanto artista, enquanto profissional, a criatividade flui, as oportunidades aparecem e o dinheiro tende a fluir na sua direção.


Aproveite este momento de quarentena para refletir, se inspirar e virar a chave do pessimismo. Faça um minucioso autoestudo. O mercado está sempre aberto para pessoas criativas, talentosas, dinâmicas, organizadas, resilientes e esforçadas. Não deixe se contaminar pelas baixas vibrações, não entre nessa frequência. Dificuldades sempre existirão. No entanto, como diria meu amigo DeRose, “Obstáculos e dificuldades fazem parte da vida. E a vida é a arte de superá-los."

23 visualizações